quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rodeio: investigação volta à polícia em Jaguariúna/SP

Noticias - ANIMAIS - BRASIL
02-Dez-2010

Quatro jovens morreram e 11 pessoas ficaram feridas durante evento em 2009

Luciana Félix
DA AGÊNCIA ANHANGUERA

A Justiça de Jaguariúna deferiu o pedido do Ministério Público (MP) para novas investigações sobre a tragédia no Rodeio de Jaguariúna. O MP defende o indiciamento — por homicídio culposo e lesão corporal culposa — do organizador do evento, Valdomiro Poliselli Júnior, e dos engenheiros Flávio Paoliello Machado de Souza e Maria Carolina da Silva Winkler, em razão da morte de quatro jovens durante a festa, realizada em maio de 2009. Outras 11 pessoas ficaram feridas no tumulto que aconteceu na arena de shows.

A decisão foi tomada pela juíza titular da 2ª Vara Criminal de Jaguariúna, Ana Paula Colabono Arias. Ela informou que o inquérito deve voltar até o final desta semana para que a Polícia Civil da cidade retome as investigações do caso e ouça as testemunhas que faltaram. “Novas diligências serão feitas para colher provas a pedido do MP. E o delegado é que irá rever se irá indiciá-los por este tipo de crime ou não. Apenas concordei com o pedido do MP e acredito que existe a necessidade do inquérito ser revisto”, afirmou a juíza.

O delegado responsável pelas investigações, Osmar Adorhi, só irá se pronunciar sobre o caso quando os documentos voltarem para a delegacia. O pedido do Ministério Público foi feito no início do mês passado, após a análise da conclusão do inquérito policial sobre as mortes durante o rodeio. O promotor Leonardo Romano Soares ficou convencido de que tanto o organizador, quanto os engenheiros — responsáveis pelo projeto de proteção e combate a incêndio e pânico, além da montagem das estruturas — tiveram responsabilidade na tragédia. O promotor foi procurado pela reportagem, mas não quis dar entrevista.

Soares também apontou no pedido — acatado pela Justiça — como responsáveis pelo acidente os oficiais do Corpo de Bombeiros de Campinas Ivair Nunes Pereira, André Luiz Bicudo e Lucimara Rossi de Godoy, que concederam o Auto de Vistoria (AV) para a realização do evento.

Além do indiciamento, o MP também requereu que a polícia colha os depoimentos da oficial do Corpo de Bombeiros Lucimara sobre a concessão do AV, a única dos três oficiais ainda não ouvidos no inquérito policial. Outro depoimento solicitado por Romano foi o do responsável pela segurança do evento. Ele deve falar a respeito da participação dos profissionais que trabalharam no rodeio. Ainda segundo o MP, vítimas também devem ser convocadas para prestar representação criminal contra os indiciados e para coleta de provas da materialidade acerca das lesões corporais sofridas.

Somente após a realização das providências solicitadas à Polícia Civil é que o MP poderá apresentar denúncia — acusação formal à Justiça — contra os responsáveis pela tragédia.

Defesa

Na manifestação do MP, de 26 páginas, também foi requerida a remessa de cópia do inquérito à Justiça Militar e à Corregedoria da Polícia Militar para apuração de crime militar (homicídio culposo e lesão corporal culposa) e falta funcional eventualmente praticados pelos oficiais do Corpo de Bombeiros. “Os documentos estão sendo xerocados para serem enviados à corregedoria”, disse a juíza.

Os representantes da organização do Jaguariúna Rodeo Festival informaram, por meio da assessoria de imprensa, que sabem que os autos do inquérito policial retornarão à delegacia de polícia de Jaguariúna para a continuidade das investigações, mas afirmam que não foram notificados sobre o despacho.

http://cpopular.cosmo.com.br/mostra_noticia.asp?noticia=1718795&area=2020&authent=9C47036DA01452BE65214F8236709C

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